Prosa

Vê bem, sou dividido em tantos e faço veredas tão diferentes num mesmo dia, que tentando, não havia de ter modo de encontrar-me em um só para estar inteiro no lugar. e não tem quem tem ânimo em pedaços que nasceram para nunca estarem juntos. no mundo quebrado, esse que temos, é justo que estejam sempre consertando coisas, estradas, prédios e pessoas. mas tem pedaços que não são quebra cabeças, e as pessoas não são feitas para encaixar, me entende? e se eu amar hoje e não amar mais amanhã? criaram tanta história nesse tema que a confusão se instala sem a dita permissão. quando vejo estou me engraçando com alguém. mas por que também não posso me engraçar com o outro e o outro? e ter afeto por todos do mesmo modo, ou de um modo outro, e cada um ser  tão bom que nem dê diferença? e quando unimos duas existências nas paredes de uma habitação as coisas se tornam outras, enevoadas de um jeito que chamam uma ventania atrás da outra e então raios e trovões, e lágrimas e covas e sentimentos atormentados em olhos profundos, de tristezas tão tristes, que como diria meu sobrinho ‘são do tamanho do mundo’. e não é que tudo tenha que ser sempre bom não. as pessoas acham que a gente que vê as coisas desse jeito não quer nada sério com a vida. pois se fosse isso, a vida não era tão séria comigo. e se já tem coisa que me entristece é ver sofrimento e dizerem que é amor. como se ele andasse sozinho, culpado por tudo. tem essa filha de um compadre que faz curso superior ali na cidade, e disse num dia desses que as coisa boa nunca anda sozinha e que na mesma medida que a gente consegue amar, consegue odiar. o pai dela deu de dizer que era ideia de gente da capital. mas o senhor sabe que dei razão pra menina? isso, a gente que sabe da vida, já viu um tantão de coisa estranha e não precisa dos dois olho pra mirar no que é real. me admira muito a vocação de quem vive amando. e é aquilo, não é que eu não saiba sentir o sentimento no coração, não é que não queira ficar, não tenho medo desse dito cujo. são essas ideias de que esperam as coisas no sempre, e nós não duramos pra sempre. mas queremos durar e aí fazemos essa forçura de querer que o resto todo dure.

Vai entender né seu Zé?

Ah, é…

Vai querer o pézinho?

O de sempre…

Pois não.

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