Os mundos estão se engolindo

Como a boa criativa que sou, às vezes minha mente só falta explodir de tanto pensar em ideias e formas diferentes de comunicar coisas. O pensar é tão intenso, que precisei criar um mundo, dentro da minha cabeça, onde vou para ter paz da bagunça criativa do dia a dia.

Estamos sempre transformando tudo em linguagem, parafraseando boas ideias, e vivendo das palavras que soltamos no mundo, literalmente.

Então, quando posso, o silêncio é tudo que quero. Silêncio para todos os sentidos, se pudesse flutuaria nua, para não ter nada encostando no meu corpo.

Me vejo sentada em roda com as minhas ideias, como se fossem uma turma do 3º ano do fundamental, dizendo: shiiiiiu… agora vamos ouvir o silêncio. Como se o silêncio fosse uma entidade cósmica.

Não entendo o suficiente de sonhos e psicanálise para dizer o que os sonhos são. Mas um dia, sonhei que era arrancada do mundo, como se a gravidade invertesse. Ela me levou de forma violenta, em queda livre para o espaço. Chegando lá, parei de cair e comecei a flutuar. O primeiro pensamento foi: vou morrer asfixiada e de fato, quando fiquei sem ar foi como sentir o vazio enchendo as paredes do meu corpo, consegui sentir dentro de mim que não tinha nada, mas não morri.

Não tinha controle de nada e também não sentia nada, nem o silêncio. Não tenho (tenho) nada para dizer, pensei. O tempo parecia não existir ali. Em certo momento me confundi, pois não sabia mais identificar o que era estar de cabeça para baixo, a gente sempre tem uma referência sobre isso, pensando agora, essa é (acho) uma das funções da gravidade.

Tinha muita quietude e de repente parou de ter, quando vi duas Terras, uma se abria engolia a outra, no estilo Pac Man. Tudo se agitou nas paredes vazias, e senti que queria chorar.

Esse sonho continua e fica mais louco ainda, mas esse texto não é sobre ele. É sobre as sensações que passei a reconhecer dentro de mim. Porque, tem tanta informação no mundo, que vários mundos já se engoliram para caber dentro desse. Acho que choro toda vez que percebo. As coisas, a natureza e as pessoas não coexistem a tanto tempo, que nem tenho referência temporal pra te situar.

Essa ruptura na forma de perceber é tão intensa que não terminamos de ler as coisas. E se você é brasileiro, pode ser melhor nem terminar mesmo. Isso é um problema, e não sei como lidar com ele.

Nesse sentido, é bom não ter o que dizer, é bom não ter ideias. Já passei tantas horas planejando realizar coisas impossíveis que esqueci das básicas, tipo checar o grau da miopia, regar as plantas, comer comida de verdade, alongar o corpo, visitar minha vó. Quando você vê um mundo bizarro engolir o mundo que você ama, as coisas mudam de dentro pra fora, ainda mais quando você descobre que ajudou a projetar o mundo ‘engolidor’ (spoiler do resto do sonho).

A criatividade não é mais como antes, nem sei se vale a pena ficar criando coisas, com tanta coisa bem criada. Mas ainda não descobri o que vem depois, apesar de acompanhar as coisas por aí. Não tenho nada para dizer e não quero ter ideias, quero o básico e prestar atenção nele. O básico pode parecer fácil, mas se fosse o Brasil não tava lascado desse jeito. Muito provavelmente, o básico requeira honestidade e, no caso, é por isso que o Brasil tá lascado desse jeito.

Por hoje é isso,

1 Comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s