Sonhei que o chamava por outro nome

Era domingo à tarde, estava cansada depois de voltar de uma noite intensa com mais um desconhecido, desses que a gente conhece em aplicativos de relacionamento. Na minha cama, adormeci com a intenção de descansar e concentrar minhas energias em coisas importantes da semana que viria. Sonhei com o rapaz que havia passado a noite anterior, olhava para ele, via seu rosto e o chamava por outro nome, sabia que aquele que falei não correspondia ao real, mas não conseguia verbalizar o nome correto. 

A confusão que meu inconsciente montou me provocou uma ansiedade. Um medo de deixar transparecer que sabia que não se construiria nenhum tipo de laço afetivo, pois se tratava somente de sexo e uma boa conversa sobre nossas pesquisas acadêmicas. Mais uma vez, uma pessoa diferente e um mesmo roteiro.

Tenho tido alguns encontros com essa sequência e um dia seguinte angustiante. Me parece, e acho que foi isso que aconteceu, que o sonho foi um sinal (do meu próprio inconsciente, talvez) de que já não estou dando conta de administrar os meus desejos, meus medos e minha carência, não necessariamente nesta ordem. Poderia muito bem ter mudado os rumos deste texto, te dizendo assim: “não dou conta de administrar os meus contatos”, ou melhor, “contatinhos”, como dizem por aí. Mas de fato, não é isso. Não troquei apenas um nome. Não consegui ligar a imagem ao nome. Aquele homem não tinha identidade para mim. 

Particularmente, não gosto de estar só, de não ter com quem conversar, não contar como foi meu dia, se comi ou dormi bem. Algumas pessoas me suprem essa necessidade e entendo que pode ser problemático. O que quero dizer, no entanto, é que ao mesmo tempo que quero estar em contato com alguém (normalmente, homens), eu não quero estar com nenhum deles. O motivo deve estar nas cansáveis e falhas tentativas de mascarar a minha carência de afeto, nesses frágeis laços. Mas como encontrar pessoas dispostas a construir laços, realmente, afetuosos e fortes? Será que ‘forte’ é a palavra? Eu não sei. Devo me contentar com os encontros corriqueiros, com pessoas que provavelmente não permanecerão na minha vida? Ou tento me envolver com alguém e assumo lidar com todos os desencontros que uma relação pode ter no seu início? 

Até aqui tracei algumas de minhas questões mais profundas e você conheceu um pouco da minha inúbil habilidade de interpretar sonhos. Estas são reflexões que faço há algum tempo, inclusive. Nós (eu e quem mais se identificar) encontramos nos aplicativos inúmeras meios para fugir de nossas angústias ou buscamos algum preenchimento daquilo que nos falta em encontros ou conversas fáceis, mas talvez a resposta esteja escondida em algum outro lugar, em nós mesmos, no outro, como nos vemos ou vemos o outro. Ainda não sei. Vou tentar entender e contarei mais aqui para quem tiver disposto e interessado em conhecer mais das disputas entre meu inconsciente de um lado e minha consciência de outro. 

1 Comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s